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Archive for maio \25\UTC 2011

Flor da orquídea I – Estrutura

A flor da orquídea é estruturada basicamente pelas sépalas e pétalas, ambas em número de três unidades cada. Existem, porém, outras partes, que estudaremos em um outro post. Por ora vamos nos ater apenas a estas partes.

Para facilitar o entendimento, segue abaixo um desenho esquematizado de uma flor de Cattleya demonstrando cada uma das partes acima descritas.

Desenho de uma flor de Cattleya

Desenho de uma flor de Cattleya

Como se pode observar, as sépalas são de formato mais estreito e alongado e tem por finalidade a proteção da flor quando ainda em botão. As sépalas são, na verdade, a camada mais superficial do botão da flor. Se observarmos um botão de orquídea, a primeira parte que veremos é exatamente as sépalas fechadas sobre os demais elementos que compõem a flor. No entanto, ao desabrochar elas são tão bonitas e coloridas quanto as pétalas.

Como dissemos, a flor é composta de três pétalas, sendo duas de formato mais parecido com as sépalas e uma terceira que se diferencia. Esta pétala, localizada na parte inferior da flor é a que se denomina labelo. É mais desenvolvida e normalmente mais colorida que as outras duas pétalas, podendo apresentar cores em degradê e mais pronunciadas, mais vivas, algumas com listras. Normalmente apresentam bordas franzidas, o que acaba por lhe dar ainda mais beleza.

E é esta parte da flor que a natureza caprichou para atrair os insetos para o seu interior e de lá, da parte mais profunda, colher o néctar. Ao sair do interior do labelo o inseto acaba por levar consigo o pólem que contribuirá para a polinização e por consequência a perpetuação da espécie.

Em um outro post comentaremos mais detalhadamente as outras partes da flor da orquídea. Até lá!

Referências bibliográficas:

Transplantando uma orquídea

As orquídeas apresentam dois tipos de crescimentos: o monopodial, com crescimento terminal em um único eixo e o simpodial, com brotação lateral.

Em muitas orquídeas simpodiais, o caule pode ser constituído por uma porção rasteira, o rizoma, e uma porção vertical engrossada, o pseudobulbo.

Nas monopodiais, o caule é alongado, não existe rizoma ou pseudobulbos.

Pois bem, diante destes esclarecimentos iniciais, mas necessários, já podemos passar diretamente para o assunto tema deste post.

Transplantando uma orquídea.

Já vimos em um post anterior a preparação do substrato no vaso para recepcionar uma nova orquídea. Partiremos então daquele ponto para podermos explicar a melhor maneira de se transplantar uma orquídea.

Antes de adentrarmos no transplante propriamente dito, convém observar que a planta a ser transferida deve ser retirada do vaso de origem com o máximo de cuidado para não danificarmos as suas raízes. Feito isto, devemos separá-las em duas ou mais partes se houverem pseudobulbos suficientes e raízes idem, para dar surgimento a novas plantas. Na sequência devemos lavá-las em água corrente para tirar todo o rastro do antigo substrato, bem como as raízes mortas, ressecadas ou danificadas. Depois de todos estes preparativos, poderemos então dar início às técnicas do transplante.

Se se tratar de uma orquídea simpodial, as quais temos como exemplos a Cattleya e a Laelia, deveremos observar o lado para o qual ocorrem as brotações, para o fim de posicioná-la no novo vaso. Como a sua brotação é lateral, linear, devemos posicionar a sua parte de trás em direção à borda do vaso, para possibilitar o seu desenvolvimento livre em direção à borda oposta do vaso. Aconselha-se a cobrir com substrato somente as raízes, deixando os pseudobulbos livres para evitar o perecimento da planta por apodrecimento.

Porém, se a orquídea for do tipo monopodial, das quais citamos como exemplos a Phalenopsis e a Dendrobium, devem ser transplantadas bem no centro do vaso, uma vez que o seu crescimento ocorrerá em direção ao seu próprio eixo, isto é,verticalmente.

Em ambos os casos deve-se observar as mesmas regras para a fixação do planta no substrato.

Finalmente, é importante observar que a orquídea recém transplantada só começará a se desenvolver plenamente a partir da fixação das raízes no substrato e até mesmo nas bordas do vaso. Para que esta fixação ocorra com mais rapidez, sem pejudicar o desenvolvimento da planta, é aconselhável sustentá-la com tutores, que nada mais são do que hastes de arame ou de bambú destinados à manutenção e sustentação da orquídea no seu novo vaso.

Obrigado por sua visita e até o próximo post.

A acomodação do substrato no vaso

O substrato é o meio pelo qual a orquídea se sustenta durante a sua vida. Além dos nutrientes nele presentes, outros (adubos) são necessárias ir se incorporando ao longo do tempo para possibilitar um desenvolvimento saudável para a planta.

Neste post procurarei transmitir alguns conceitos sobre como acomodar o substrato em um vaso com vistas a receber uma planta de orquídea.

Primeiramente há de se escolher o tipo e o tamanho do vaso. Para planta pequena, também pequeno deve ser o vaso, para evitar o acúmulo de umidade e acabar provocando o apodrecimento das raízes da orquídea. Se maior a planta, por óbvio, também maior deverá ser o vaso.

Já no tocante ao tipo de vaso, acreditamos que este detalhe já não é tão importante quanto o é para a escolha do seu tamanho. Existe no mercado uma variedade enorme de vasos, de todos os tipos e tamanhos e que servem perfeitamente para o plantio da orquídea.

Algumas espécies de orquídeas, como por exemplo a Cattleya, se adptam bem em vaso de plástico transparente, pois este possibilita o contato da luz do dia com as suas raízes, ajudando assim no seu desenvolvimento.

No entanto, também se adptam perfeitamente em vasos de plásticos pretos ou mesmo de argila. Os de argila oferecem mais opções de recursos à planta, já que possuem vários furos, inclusive em sua lateral, são porosos, fato que ajudam na manutenção da umidade sem encharcamento.

Acomodando o substrato no vaso.

Antes de colocarmos o substrato no vaso, é necessário que o forremos com uma camada de cacos de telhas ou tijolos, pedras ou isopor, para possibilitar a melhor drenagem da água, evitando assim o encharcamento e consequentemente o apodrecimento das raízes da planta.

Particularmente preferimos o isopor, pois é fácil de ser encontrado e manuseado. Além dessas características, possuem também a de afugentar certos tipos de pragas. Deve-se dar preferência ao isopor utilizado em embalagens, principalmente as de eletro-eletrônicos, pois é mais compactado, característica esta que também contribui para afastar pragas.

Mas se o vaso que se for utilizar para o plantio da orquídea for de plástico e muito leve e a planta for de tamanho grande, a utilização dos cacos de telhas está indicada, pois contribui para a manutenção do vaso em pé, mesmo diante da movimentação do ar.

Se o vaso a ser utilizado for de argila, aconselha-se a deixá-lo submerso na água por algum tempo para umidecê-lo, evitando assim que após o plantio ele absorva toda a água do substrato.

Assim sendo, somente após a forragem do fundo do vaso com esta camada de dreno é que devemos adicionar o substrato em quantia suficiente para o plantio da orquídea, observando para que fique cerca de um centímetro abaixo da borda do vaso. Feito isso, o vaso está pronto e preparado para receber a nova orquídea.

Em um outro post será esclarecida a forma correta de transferir uma orquídea para o novo vaso. Até lá!

Os substratos

Os substratos para orquídeas devem ser adequados ao tipo de orquídea que se vai cultivar, se epífita, rupícula, terrestre ou sapófita.

Se se trata de orquídea epífita, o substrato não deve conter terra em seu composto, já que este tipo de orquídea vive normalmente em troncos de árvores em seu habitat natural, portanto, longe da terra (Ex: Cattleya, Laelia, etc).

epífito
[De ep(i)- + -fito.] Bot.
Substantivo masculino.
1.O vegetal que vive sobre um outro sem retirar nutrimento, apenas apoiando-se nele. [As orquídeas, p. ex., são plantas epífitas e, não, parasitas, como usualmente se diz.]
Adjetivo.
2.Diz-se de tais vegetais; epifítico.

A rupículas também não necessitam de terra para a sua sobrevivência, vivem em pedras ou rochas (Ex: Cattleyas Walkirianas. Epidendruns, etc).

rupícola
[De rupi- + -cola1.]
Adjetivo de dois gêneros.
1.Que vive nas rochas.

Já as terrestres vivem diretamente na terra, portanto, o seu substrato natural é extamente a terra (Ex: Arundina, Phiaus, Cyrtopodium, Túnia, etc).

Por fim, temos as saprófitas, que vivem em solo com abundância de material em decomposição, possuindo raízes mais finas e menos carnosas. Estas precisam de um substrato renovado constantemente, com mistura de musgo, raspas de madeira, folhas, para se assemelhar ao meio natural onde vivem – Blossfeld, 1999 (Ex: Stanhopeas e Masdevallias, etc).

saprófito
[De sapr(o)- + -fito.]
Substantivo masculino.
1.Ecol. Vegetal, inferior ou superior, desprovido de clorofila, como as burmaniáceas e certas orquidáceas, que se nutre de animais e plantas em decomposição; sapróbio.

Neste Post vamos tratar do substrato para as orquídeas epífitas.

O substrato para este tipo de orquídea pode ser de um único elemento ou da combinação de dois ou mais elementos.

Com efeito, como exemplo podemos utilizar a casca de pinus para servir como substrato, por ser bem porosa e portanto, com capacidade de conservar por mais tempo a umidade sem por isso ficar encharcado.

No entanto, o tipo de substrato a ser utilizado deve partir das facilidades regionais no tocante à escolha da matéria prima, de vez que vários são os componentes que podem servir para este fim sem interferir no resultado final.

Os componentes mais comuns dos substratos são os seguintes: casca de pinus, esfagno, pó de casca de côco (coquim), carvão, casca de castanha do Pará, casca de arroz carbonizada, sabugo de milho, pinha desfiada ou mesmo a própria pinha, etc. Anteriormente o xaxim era o substrato mais utilizado, mas, devido à proibição de sua extração da natureza em face do risco de extinção, não existe mais à venda.

Da mistura de componentes.

Acreditamos que um substrato adequado para o bom desenvolvimento da orquídea epífita seja aquele obtido a partir da mistrua de dois ou mais componentes, pois assim oferece mais fontes de nutrientes para a planta.

Um bom substrato pode ser obtido com a mistura de pó de côco (coquim) e casca de pinus, em partes iguais. A casca de pinus a ser utilizada deve ser em pedaços pequenos, de mais ou menos 1,5 cm para vasos pequenos  (15 a 20 cm). De se frisar que a casca de pinus, por ser em pedaços, oferece a possibilidade de melhor drenagem, o que evita que o substrato fique encharcado. Mas podemos também obter o substrato com as misturas do carvão com o esfagno e a casca de pinus. Assim também com relação aos outros componentes antes mencionados.

Em outro Post explicaremos como acondicionar o substrato no vaso. Até lá!

Referências bibliográficas:

  • BLOSSFELD, A. Orquidologia, Orquidofilia e Orquicultura. Jaboticabal, SP. Funep, 1999.
  • Dicionário Aurélio Eletrônico, Versão 5.0, 2004.

A adubação com o Bokashi

A aplicação do adubo Bokashi requer o conhecimento de alguns requisitos importantes para a sua eficácia, conforme adiante procuraremos demonstrar.

Em primeiro lugar devemos ficar atentos à data de sua validade, já que, por ser um adubo vivo, acaba perdendo a eficácia após determinado período. Todavia, se acondicionado em recipiente adequado, bem fechado, poderá ter uma durabilidade de três a seis meses, tempo este que decorre das condiçoes de manipulação.

Podemos dizer, por outras palavras que, depois de algum tempo os organismos vivos do produto perecem e com eles também a sua eficácia, tanto é assim que quando utilizado, não devemos aplicar concomitantemente adubos químicos nem fungicidas e defensivos de qualquer natureza, em especial os de nitrato, pois estes eliminam a função salutar desse biofertilizante.

Conforme colhe-se da obra “Guia Como Cultivar Orquídeas“, na matéria intitulada “Um adubo, muitos benefícios“, página 56, que tem a colaboração do engenheiro agrônomo e professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), Roberto Jun Takane, o Bokashi “…é produzido a partir da combinação de materiais de origem vegetal e animal que, conforme a mistura, oferece dosagem de nutrientes que contribuem em todas as fases do desenvolvimento das orquídeas. Seu diferencial é a inoculação de micro-organismos (fungos e bactérias) benéficos que auxiliam na nutrição gradual e equilibrada, sendo assim, pode-se dizer que é um biofertilizante.”

Como aplicar o biofertilizante e sua periodicidade.

Este tipo de adubo deve ser aplicado em porção equivalente a uma colher de chá no conto do vaso, longe das raízes da planta. Em localidades de clima quente deve-se aplicá-lo a cada dois meses mais ou menos e em locais de clima mais ameno de quatro em quatro meses. A cada aplicação do biofertilizante procure fazê-lo de modo a alternar os lados do vaso que o recebe, isto é, aplique-o em cada uma das vezes observando o lado oposto do vaso, em forma de cruz.

Para saber se o biofertilizante está atuando conforme se espera, observe se após alguns dias da aplicação ocorreu a sua fermentação, que é caracterizada pela formação de fungos, um tipo de bolor sobre o montículo aplicado ao vaso. Se isto ocorreu, tem-se então a certeza de que está funcionando perfeitamente.

Dados bibliográficos:

  • Cultivo de Orquídeas, Editora LK, 2006, Tecnologia Fácil, Volume 75.
  • Guia Como Cultivar Orquídeas, Editora Casa Dois, 1ª edição, 2010.

Como carbonizar a casca de arroz

A maioria das receitas que envolve a casca de arroz carbonizada, tais como para entrar como componente do adubo denominado Bokashi e nos substrato para orquídeas, dentre outras aplicações, informa que o produto pode ser encontrado nas casas especializadas.

No entanto, as casas especializadas que comercializam este tipo de componente são poucas e na maioria das vezes longe das casas das pessoas interessadas na sua utilização.

A casca do arroz, por sua vez, é facilmente encontrada em praticamente todas as localidades, mas virgem, ou seja, em sua forma natural.

Aqui é que entra as nossas dicas para carbonizá-la. Vamos a elas então.

A casca de arroz pode ser carbonizada em fogão à gaz mesmo. Para tanto necessitamos de uma panela de material robusto, isto é, de paredes grossas, de preferência uma panela de ferro para melhor conservação do calor.

Como normalmente as panelas de ferro não são tão grandes, normalmente em torno de 5 a 7 litros, indico que se coloque a casca de arroz aos poucos, em porções não superiores a um litro, esperando o tempo suficiente para um bom aquecimento, após o que deve-se mexer o material com uma colher de pau para possibilitar a carbonização uniforme, caso contrário a
casaca de arroz se queimará.

Após a carbonização deve-se transferir o material para um outro recipiente, de preferência uma bacia metálica grande para o resfriamento. Normalmente a casca de arroz após carbonizada e trasnferida para o outro recipiente, continua o processo de carbonização. Para evitar que isto ocorra é necessário interrompê-lo através de pequenos borrifos de água, quantidade suficiente para a interrupação da queima e a manutenção do produto seco para armazenamento.

Entendo que a carbonização da forma como exposta é possível em casa e pelo próprio interessado, em virtude da pequena quantidade de que precisamos para elaborar o Bokashi.

Espero ter informado adequadamente.

Até o próximo post.

Adubo Bokashi

Orquídea Miltonia

O termo Bokashi exprime a idéia de algo composto de vários ingredientes e fermentado.

O Bokashi é um adubo milenar e sua utilização tem resistido com o passar do tempo, apesar dos avanços tecnológicos no tocante aos mais variados tipos de adubos surgidos depois de muitas pesquisas de laboratório.

Existem muitas variações do Bokashi, uma para cada tipo de cultura, inclusive para aplicação na agricultura de grande escala e suas variações incluem o granulado e o líquido.

Para nós, que estamos tratando de adubação para orquídeas, vamos ficar somente no tipo a elas destinado: o granulado.

O tipo de adubo de que estamos tratando pode ser encontrado no mercado, em especial nas casas especializadas. No entanto, nós mesmos podemos fazê-lo em casa sem nenhuma dificuldade, bastando para tanto reunirmos os materiais e ingredientes necessários.

Vamos precisar dos seguintes materiais:

  • uma vasilha grande, de preferência redonda e um pouco funda. Pode ser uma bacia de plástico.
  • uma colherinha de café para servir de medida.
  • um pote grande e com tampa para armazenar o Bokashi.
  • um saco plástico transparente, grande e limpo, também para armazenar o produto.

Vamos precisar dos seguintes ingredientes:

  • 2,5 litros de farelo de soja.
  • 0,5 litro de farelo de arroz.
  • 0,5 litro de casaca de arroz carbonizada.
  • 50 g de fosfato simples.
  • 5 g de açúcar mascavo.
  • 0,5 frasco de leite fementado com lactobacilos.
  • 1 colher de café de Bokashi tradicional.
  • Água limpa e isenta de tratamento químico (água da chuva ou mineral).

Modo do preparo.

Na vasilha plástica misture o farelo de soja, o farelo de arroz e a Casca de arroz carbonizada. A seguir incorpore o fosfato simples e o acúcar mascavo. Esta é a mistura seca.

Em uma pequena vasilha à parte, misture o Bokashi tradicional e o leite fermentado com um pouco de água. Depois incorpore esta mistura à mistura seca feita anteriormente e mexa bem. Aconselho mexer com as próprias mãos, como se estivesse misturando uma massa de pão. Vá acrescentando água até obter uma mistura consistente e homogênia.

Após, coloque o composto no saco plástico e feche-o bem, cuidando para que o ar seja expulso do seu interior. Coloque no pote grande e feche-o, cuidando para que o ar circule de vez em quando no seu interior.

Deixe fermentar por 25 a 30 dias. Após esse período faça um teste colocando uma pequena porção (uma colherinha de café) em uma folha de anthurium. Se não queimar a folha, significa que o adubo está feito e pronto para ser utilizado.

Observo que após o período de fermentação você sentirá um cheiro característico de iogurte e álcool.

Em outro post explicarei como efetuar a adubação com Bokashi.

Publicado em Cultivo de orquídeas